Voz: Matheus Guménin Barreto
Cláudio Neves
Dizeres
Diz-se morte como quem diz manhã,
maçã, aquário, flauta, borboleta.
(Talvez que, quando dita, se completa
ou se aniquila quando som de letra.)
Morte se diz de qualquer fim de prazo,
qualquer acaso do caminho ou da vontade,
diz-se das ondas quando dão na praia
ou se nos falha um plano, uma trapaça.
Morte se diz como diz contrato,
senhorio, despejo, nova casa,
diz-se de um rio quando encontra o mar
e de uma rua quando dá em nada.
(Talvez que, com dizê-la, assim se evita
seu centro de silêncio, seu oco de sentido.)
Fiquei surpreso e feliz pela lembrança de meu poema. Grande abraço, Cláudio Neves.
ResponderExcluirOlá, Cláudio! O prazer é nosso! Postaremos mais alguns, logo mais. Abraço e obrigado pela visita.
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