Vídeo: Caio Augusto LeiteMatheus Guménin Barreto
Fala o silêncio
1.
O
dia arrasta os seus pés,
seus
pés o dia arrasta.
Passamos
nós pelos dias?
Ele passa?
O
dia arrasta os seus pés,
seus
pés o dia arrasta.
Arrasta
ele acaso o homem?
Também passa?
O
homem passa, e o dia,
o
dia passa e o homem.
Será
que antes de partir
terão nome?
2.
A
quina da mesa escura
esconde
silêncios mil.
Esconde
aquilo que há
ou partiu.
Atrás
desta geladeira
espia,
branco, o silêncio.
Espia
o que foi e veio
em seu seio.
Ali
no chão o tapete
lição
de pouco se ser.
Pisado
e humilde aprende
a esquecer.
E
o homem? e essa mulher?
Andando
assim, tão distantes
igualmente
do futuro
e do antes.
3.
Assim
reclamamos nós
direito
sobre o que há.
Pedimos
posse do mundo.
Mas dará?
Dará
o mundo o que houve
e
há e o que está pra haver?
O
homem sabe o que quer?
Sabe ter?
E
se lhe pedimos nós
nós
mesmos? Ele nos dá.
Mas
dá já na expectativa
de tomar.
4.
À
noite, às vezes, nos cantos
daquilo
a que chamam casa,
o
homem às vezes topa
com a sua cara.
A
andar sonâmbulo e simples
por
entre o que já comprou,
pergunta-se
sem perguntas:
Quando sou?
Não
sabe o que é o mundo.
E
existe um mundo a saber?
Ou
será que o mundo forma-se
de esquecer?
5.
Já
sabe ele ser? Não sabe.
Se
soube, desaprendeu.
Será
que algum dia o homem
é só seu?