sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Matheus Guménin Barreto - Fala o silêncio


Vídeo: Caio Augusto Leite

Matheus Guménin Barreto
Fala o silêncio

1.
O dia arrasta os seus pés,
seus pés o dia arrasta.
Passamos nós pelos dias?
                    Ele passa?

O dia arrasta os seus pés,
seus pés o dia arrasta.
Arrasta ele acaso o homem?
                    Também passa?

O homem passa, e o dia,
o dia passa e o homem.
Será que antes de partir
                    terão nome?


2.
A quina da mesa escura
esconde silêncios mil.
Esconde aquilo que há
                    ou partiu.

Atrás desta geladeira
espia, branco, o silêncio.
Espia o que foi e veio
                    em seu seio.

Ali no chão o tapete
lição de pouco se ser.
Pisado e humilde aprende
                    a esquecer.

E o homem? e essa mulher?
Andando assim, tão distantes
igualmente do futuro
                    e do antes.


3.
Assim reclamamos nós
direito sobre o que há.
Pedimos posse do mundo.
                    Mas dará?

Dará o mundo o que houve
e há e o que está pra haver?
O homem sabe o que quer?
                    Sabe ter?

E se lhe pedimos nós
nós mesmos? Ele nos dá.
Mas dá já na expectativa
                   de tomar.


4.
À noite, às vezes, nos cantos
daquilo a que chamam casa,
o homem às vezes topa
                    com a sua cara.

A andar sonâmbulo e simples
por entre o que já comprou,
pergunta-se sem perguntas:
                    Quando sou?

Não sabe o que é o mundo.
E existe um mundo a saber?
Ou será que o mundo forma-se
                    de esquecer?


5.
Já sabe ele ser? Não sabe.
Se soube, desaprendeu.
Será que algum dia o homem
                    é só seu?

Nenhum comentário:

Postar um comentário