Voz: Matheus Guménin Barreto
Bruno F. Rosa
A um poeta morto
Um poema ficou no ar
esperando por ser escrito,
um poema que resumiria
sua vida e obra e seu sentido.
Um poema que seria o fecho
do que escreveu em tantos livros
e sem saber o procurava
em sua obra e na dos amigos.
Um poema que seria o último
do último do último livro
no qual repousasse a palavra
à sombra de seu próprio mito.
Um poema ficou no ar
e esse nunca será escrito:
estava grafado na nuvem,
desfez-se num céu amplo e limpo.
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