Voz: Artur Mattar
Pedro Augusto Pinto
Mea culpa
As
mãos que teciam
o
dia
onde
estão?
Onde
estarão, que a tarde desfaz-se
e
nada se faz?
Talvez
tenha uma esperança
jogada
em alguma gaveta,
gravatas,
remédios, insônia,
algum
desses bolsos
mas
qual?
Debaixo
de cada pedra
vive
sempre um animal.
Talvez
nocivo, mas vive,
e
sangra e então
na
boca de toda pedra
há
sempre três vezes o "não".
Não
sei, não creio, senhor, perdoa
minha
doença
amanhã
vou ao médico
saber
onde estão
sobre
a mesa, no bolso, na bolsa
vendidas
a meio milhão!
Dou-lhe
uma!
Dou-lhe
duas!
Dou-lhe
não.
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